Punk Além da Música: Literatura, Cinema e Atitude

> “Foda-se a estrutura.” — capa de fanzine anônimo, 1983

Palavra rasgada: a escrita que berra

Ser punk nunca foi só fazer barulho. Também foi escrever contra. Nos anos 80, a literatura punk explodiu em contos curtos, diários crus e autoficções raivosas. Kathy Acker, com textos pornográficos e experimentais, criou um estilo anárquico que parecia gritar mesmo impresso.

Zines circularam com poesia suja, relatos de rua, manifestos e piadas internas entre cenas locais. Cada xerox era um ato de resistência contra a burocracia da cultura oficial.

Câmera tremida: o filme como banda sem ensaio

Cinematograficamente falando, o punk invadiu as telas aos trancos e barrancos — e era exatamente isso o ponto. Jubilee (Derek Jarman, 1978) parecia um pesadelo medieval com Sex Pistols e rainhas anarquistas. Repo Man (1984) colocou aliens, carros roubados e punk rock numa trama de puro caos narrativo.

E há o clássico Suburbia (1983), de Penelope Spheeris, que retrata jovens expulsos de casa encontrando família na desordem. A câmera era tremida, as atuações eram cruas, e tudo isso formava o encanto.

Punk editorial: atitude é mais que estética

Hoje, o punk pulsa em textos publicados sem revisão, blogs que se recusam a usar template bonito, e newsletters que parecem faxinas mal feitas de algum HD dos anos 90.

O que importa é a voz. E o pulso. E o grito.

Kit punk multilinguagem (leitura obrigatória):

  • Livro: Blood and Guts in High School, de Kathy Acker
  • Filme: The Blank Generation (1976), doc nervoso de Amos Poe
  • Zine: Sniffin’ Glue (procure os PDFs online)
  • Frase final: Punk não é estética. É urgência editorial.

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