Kafka e o Absurdo da Existência – Uma Vida Dentro do Labirinto

“A partir de certo ponto, não há mais retorno. Esse é o ponto que se deve alcançar.” — Franz Kafka

Franz Kafka transformou o absurdo em um espelho da realidade. Seu mundo é feito de burocracias impenetráveis, personagens que vagam em círculos e destinos que parecem selados antes mesmo de serem compreendidos. Mas o mais inquietante? O leitor percebe que esse universo kafkiano, carregado de angústia e paradoxos, se parece terrivelmente com o nosso próprio.

O Escritor Que Nunca Se Sentiu Pertencente

Kafka nasceu em Praga, em uma sociedade onde não parecia se encaixar – judeu, falante de alemão em um território dominado pelo tcheco, pressionado por um pai autoritário e por um emprego burocrático. Essa sensação de deslocamento permeia todas as suas obras. Seus personagens vivem à mercê de forças invisíveis, tentando entender o mundo ao seu redor enquanto são esmagados pelo sistema.

O Processo e o Pesadelo da Burocracia

Em O Processo, Josef K. é preso sem saber seu crime. Ninguém explica, ninguém esclarece. Ele navega por tribunais obscuros, regras que não fazem sentido e autoridades que não lhe dão respostas. No fim, ele é condenado sem entender o motivo. Não há lógica, apenas uma engrenagem fria e impessoal. Parece ficção? Ou parece um dia qualquer na vida moderna?

A Metamorfose – O Homem Que Virou Inseto

Gregor Samsa acorda uma manhã e descobre que virou um inseto. Mas, em vez de buscar uma explicação, ele se preocupa com seu atraso no trabalho, com sua família que não sabe como lidar com sua nova forma, com a alienação de sua própria identidade. A metamorfose não é apenas física – é emocional, social, existencial.

Kafka e a Angústia da Modernidade

O que Kafka escreveu há mais de cem anos continua aterradoramente atual. Ainda vivemos presos a sistemas burocráticos, ainda nos sentimos deslocados, ainda tentamos encontrar sentido em um mundo que raramente nos dá respostas. Seu legado é uma pergunta constante: quem realmente controla nossa vida?

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